Quebradeiras de coco babaçu do TO comemoram reconhecimento da atividade como manifestação cultural

Quebradeiras de coco no Tocantins ASMUBIP/Divulgação O trabalho das quebradeiras de coco babaçu, tradicional em comunidades do Tocantins, Maranhão, Piauí e...

Quebradeiras de coco babaçu do TO comemoram reconhecimento da atividade como manifestação cultural
Quebradeiras de coco babaçu do TO comemoram reconhecimento da atividade como manifestação cultural (Foto: Reprodução)

Quebradeiras de coco no Tocantins ASMUBIP/Divulgação O trabalho das quebradeiras de coco babaçu, tradicional em comunidades do Tocantins, Maranhão, Piauí e Pará, passou a ser reconhecido oficialmente como manifestação da cultura nacional. A medida foi sancionada por meio da Lei Federal nº 15.431 e anunciada durante evento em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, em Brasília. No Tocantins, a atividade é desenvolvida principalmente por mulheres da região do Bico do Papagaio, no norte do estado. Além de garantir renda para centenas de famílias, o trabalho é considerado um importante símbolo de preservação ambiental, resistência cultural e transmissão de conhecimentos entre gerações. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp As quebradeiras de coco babaçu integram os povos e comunidades tradicionais e desempenham uma atividade de relevância histórica, cultural, social e econômica. Agora no g1 Reconhecimento de uma luta histórica Para a coordenadora da Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (ASMUBIP), Rozeny Batista, o reconhecimento representa uma conquista construída ao longo de décadas de organização coletiva. "A gente estava precisando e necessitando desse reconhecimento. Nem todas as mulheres têm fazenda ou terra para coletar o coco, e muitas vezes os proprietários não deixam a gente entrar para catar", explicou. Mais do que uma atividade econômica, a quebra do coco babaçu se tornou um instrumento de transformação social para muitas famílias. De acordo com a coordenadora, a renda obtida com a comercialização dos produtos derivados do babaçu ajudou mulheres a conquistarem independência financeira e melhores condições de vida. "Muitas mulheres foram alforriadas de casamentos abusivos. Com essa renda do coco, a gente pôde pagar os estudos dos filhos e até conquistar nossa moradia própria", afirmou. Segundo ela, atualmente a associação reúne cerca de 500 mulheres cadastradas em 23 municípios da região, organizadas em 12 núcleos. VEJA TAMBÉM Exame toxicológico para primeira CNH: veja como funciona a nova regra no Tocantins Pitbulls atacam e matam cachorro que fazia companhia para idosa em Palmas; VÍDEO Quem é a secretária de Saúde de Palmas presa em investigação sobre a terceirização das UPAs Tradição passada entre gerações A matéria-prima do trabalho é o babaçu, uma palmeira nativa encontrada em abundância no norte do Tocantins. Utilizando técnicas tradicionais transmitidas entre gerações, as quebradeiras aproveitam integralmente o coco para produzir óleo, carvão, farinha, sabão, artesanato e outros derivados. Além da importância econômica, a atividade é considerada uma prática sustentável, pois permite a geração de renda sem comprometer a vegetação nativa. Organizadas em associações, cooperativas e movimentos sociais, as quebradeiras também desempenham papel importante na conservação dos babaçuais e na defesa dos territórios tradicionais. Com o reconhecimento nacional, o ofício passa a integrar oficialmente o patrimônio cultural brasileiro, reforçando a importância histórica, social e ambiental das mulheres que mantêm viva essa tradição no Tocantins e em outros estados da região Norte e Nordeste. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins. Mari Silva é integrante do programa de estágio entre o Grupo Jaime Câmara e Universidade Federal do Tocantins (UFT), sob supervisão de Patrício Reis.